Endometriose

O QUE É?
A endometriose é talvez uma das mais intrigantes doenças ginecológicas e um dos temas médicos mais discutidos atualmente. Tal fato é devido ao aumento significativo desta doença nas últimas décadas, não só pelo aprimoramento dos meios de diagnósticos, como também pelo crescimento do número de mulheres portadoras de endometriose. Sua ação pode ser tão devastadora que pode ser considerada como a mais
grave doença benigna ginecológica.
É uma doença que acomete as mulheres em idade reprodutiva e que consiste na presença de endométrio em locais fora do útero. Endométrio é a camada interna do útero que é renovada mensalmente pela menstruação.
É quando se encontra crescimento do tecido de revestimento interno do útero, chamado de endométrio, fora do útero, ou seja, em outras partes do corpo. Só acontece depois que a mulher começa a menstruar. Mulheres com idades em torno de 20, 30 e 40 anos têm maiores chances de desenvolver endometriose.

ONDE SE LOCALIZA?
Os locais mais comuns da endometriose são: Fundo de Saco de Douglas, (atrás do útero), septo reto-vaginal (tecido entre a vagina e o reto), trompas, ovários, superfície do reto, ligamentos do útero, bexiga, e parede da pélvis.
Como conseqüência, ele cresce sob a ação dos hormônios femininos, como o endométrio, dentro do útero, e sangra da mesma forma, provocando os sintomas de dor na região pélvica.


Locais de endometriose

PRINCIPAIS SINTOMAS
O principal sintoma da endometriose é a dor, as vezes muito forte, na época da menstruação. Dores para ter relações também são comuns. Mas muitas mulheres que tem endometriose não sentem nada. Apenas tem dificuldade em engravidar. Por outro lado ter endometriose não é sinônimo de infertilidade, muitas mulheres com endometriose engravidam normalmente. 30 a 40 % das mulheres que tem endometriose tem dificuldade em engravidar.

Os sintomas mais comuns da endometriose são:
• Dor antes e durante o período menstrual (geralmente mais forte do que as cólicas menstruais "normais”)
• Dor durante ou após a relação sexual
• Dor ao urinar
• Dor na parte inferior das costas (lombar) e evacuação dolorosa e com fezes amolecidas durante a menstruação
• Dor na pelve
Outros sintomas incluem:
• Pequenos sangramentos vaginais pré-menstruais
• Menstruações com fluxo de sangue mais intenso ou mais prolongado do que o normal
• Infertilidade

CAUSAS
Ainda não se sabe ao certo como é que o endométrio acaba se desenvolvendo em outras áreas que não o útero. Algumas teorias foram formuladas, sendo que uma delas é a teoria do fluxo menstrual retrógrado. Isto quer dizer que, em vez da menstruação ocorrer para fora do útero, através da vagina, parte dos debris da menstruação caminhariam pelas trompas de Falópio e atingiriam outras regiões, como as próprias trompas, os ovários e até mesmo a cavidade abdominal.
Outra teoria diz que pode haver extravasamento desses debris da menstruação através dos vasos sanguíneos ou dos vasos linfáticos. Uma terceira teoria postula o fator genético da doença, pois foram encontrados casos em pessoas da mesma família. Há ainda uma teoria de que a doença ocorre devido a uma deficiência imunológica, porém, não está comprovada.

GRAUS DA DOENÇA:
Para finalidades didáticas a endometriose foi classificada em graus de I a IV. Na prática verificou-se que estes graus não refletem obrigatoriamente a gravidade da doença ou suas chances de tratamento. Muitas vezes uma endometriose grau I é pior, em termos de fertilidade e sintomas, que uma de grau IV.

Como se faz o diagnóstico?
Diagnóstico de suspeita da endometriose é feito através da história clínica, ultra-som endovaginal na época da menstruação, exame ginecológico, e alguns exames de laboratório. A certeza, porém, só pode ser dada através do exame anatomo-patológico da lesão, ou biópsia. Esta pode ser feita através de cirurgia, laparotomia, ou, preferível, laparoscopia.
Laparoscopia é um procedimento de exame e manipulação da cavidade abdominal através de instrumentos de ótica e/ou vídeo bem como de instrumentos cirúrgicos delicados que são introduzidos através de pequenos orifícios no abdome, permitindo identificar e determinar a extensão da doença. Durante a laparoscopia é possível cauterizar os pequenos focos de endometriose com eletrocautério bipolar ou laser, retirar cistos de endometriose dos ovários e realizar a biópsia, que nada mais é que a retirada de um pequeno fragmento para exame anatomo-patológico que irá confirmar o diagnóstico.É um procedimento cirúrgico realizado geralmente com anestesia geral.


Imagem de videolaparoscopia

Como se trata?
O tratamento vai depender da idade da paciente, da extensão da doença, da severidade dos sintomas, da duração da infertilidade e dos planos reprodutivos do casal.
Em casos leves, em que os sintomas praticamente são inexistentes, o tratamento é expectativo, e normalmente a paciente acaba engravidando sem nenhum medicamento.O tratamento pode incluir cirurgia que pode ser conservadora, removendo as áreas de endometriose através da laparoscopia com o objetivo de diminuir a dor ou permitir a ocorrência da gestação, ou agressiva, removendo os ovários e mesmo o útero. Na terapia medicamentosa vários fármacos podem ser usados com o objetivo de criar um ambiente desfavorável aos implantes ectópicos, suprimindo os hormônios e produzindo amenorréia (parada da menstruação).
São usados hormônios, tais como as pílulas anticoncepcionais, os progestagênios (acetato de medroxiprogesterona), o Danazol, por um período de nove meses contínuos. Esses irão provocar uma "pseudogravidez", ou seja, a mulher fica sem menstruar por nove meses como se estivesse grávida, provocando uma redução do endométrio em todas a partes em que ele estiver..
Outro hormônio que pode ser utilizado é o hormônio gonadotrófico, que é produzido na hipófise, uma glândula localizada no cérebro. Da mesma forma, os hormônios naturais são inibidos, provocando uma redução no endométrio, com isso reduzindo os focos de endometriose. Essa droga pode ser administrada por via nasal sob a forma de spray ou através de injeções subcutâneas.
Quanto ao tratamento cirúrgico, os casos que se beneficiam deste tratamento são aqueles em que há outras complicações da endometriose, tais como adesões dos órgãos femininos, ou quando a doença é muito severa. A cirurgia pode ser feita de uma forma bem leve, utilizando-se laser a vapor ou a retirada cirúrgica dos focos de endometriose, preservando ao máximo as estruturas dos órgãos femininos. O tratamento cirúrgico é muito eficaz, com uma incidência de gravidez após o tratamento de 62% dos casos leves, 55% nos moderados e 50% nos casos mais graves.
Alguns casos, porém, necessitam um tratamento mais drástico, com a retirada do útero, das trompas e dos ovários dos dois lados. Este tratamento é deixado para aquelas pacientes que não querem mais engravidar ou quando a doença é tão grave que a paciente não tem outra alternativa.

Atualmente não há cura para a endometriose. No entanto a dor e os sintomas dessa doença podem ser diminuídos.
As principais metas do tratamento são:
Aliviar ou reduzir a dor.
Diminuir o tamanho dos implantes.
Reverter ou limitar a progressão da doença.
Preservar ou restaurar a fertilidade.
Evitar ou adiar a recorrência da doença.

Como se previne?
Não existe prevenção da endometriose que afeta as mulheres em seus anos reprodutivos, mas aquelas que usam anticoncepcionais orais para o controle da gestação têm uma menor incidência da doença.

O Que é Videolaparoscopia?
É um procedimento endoscópico realizado em ambiente hospitalar sob anestesia, onde, por pequenas incisões, são introduzidas pequenas óticas acopladas a mini-câmeras e assim por visualização em monitores de tv, executa-se o exame com precisão.
Também por esse método podem ser removidos os focos da endometriose ou destruídos pelas coagulações feitas com pinças bipolares ou pela vaporização a laser, desenvolvendo a fertilidade e a normalidade e reduzindo as dores pélvicas. Uma das vantagens do Videolaparoscopia é que a alta hospitalar é precoce (menos de24 horas ) e retorno rápido ao trabalho (3-5 dias).

A laparoscopia permite ao médico visualizar o interior do abdome através de uma ótica que visualiza e o ilumina ao mesmo tempo, transferindo assim a imagem para um monitor de vídeo.



Através de três mínimas incisões, uma umbilical de 1,0 cm e duas de 0,5 cm no baixo ventre, o cirurgião realiza as cirurgias tradicionais com o mínimo de tempo de permanência hospitalar, evitando assim grandes incisões cirúrgicas e vários dias de internação hospitalar como nas cirurgias tradicionais.

Hoje aproximadamente 80% das doenças do aparelho reprodutor feminino são passíveis de tratamento por videolaparoscopia.





Dr. Leo Cezar Vieira
leo@promulheronline.com.br